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Topa um acordo, menino?

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Topa um acordo, menino?


A noiteceu e, com ela, uma nova chuva. Não forte o suficiente para ameaçar, como em outras dezenas de vezes, as estruturas precárias da casinha de madeira, mas o bastante para inundar a construção inteira com o chiado metálico e constante da água sobre o telhado de zinco. Deitado sobre o colchão desgastado coberto pela manta fina, enquanto a névoa de água fria descia até encontrar seu rosto, o menino fechou os olhos e abriu aboca. Sua oração em voz alta era abafada pela chuva, o suficiente para não acordar a mãe. Disse, não diretamente a Deus, mas a quem estivesse disposto a ouvir, que queria fazer um pedido. Ele queria mudar tudo. O menino pedia uma forma de trazer o sorriso à mãe de volta, como lhe era comum ver antes do pai partir sem jamais retornar. O menino pediu tantas vezes a mesma coisa que, ao finalmente adormecer de cansaço, as mãos permaneceram juntas, como estavam quando ele começou a expressar os desejos mais íntimos de seu coração.

Quando o pedido mais sincero do coração de uma criança traz resultados inesperados, o jeito é topar o acordo. Mas se as coisas não saem como o previsto, outro acordo deve ser selado. Escrito originalmente para a antologia autoral Minhas conversas com o diabo, Topa um acordo, menino? desafia nossos desejos: o que queremos é mesmo o melhor?

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