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Quando esqueci de viver


A menina riu uma vez, duas, três. Era o tipo de risada que Justina dava quando alguma visita brincava com a criança ou fazia alguma careta engraçada. Maria voltou à sala. No sofá, Justina já não ria. A jovem mãe sentou ao lado da criança.
— Do que você ria, minha filha? – Maria perguntou antes de dar de beber à criança.
— Do palhacinho. – A menina respondeu, ao mesmo tempo em que pegou o copo e bebeu da água.
— Que palhacinho? – Ela perguntou assim que Justina terminou de beber.
— O palhacinho. Ele tem uma roupa colorida e ficava rindo pra mim.
— E aonde ele foi? – Maria ficou um pouco assustada.
— Tá escondido atrás do sofá.

Uma mãe sozinha em uma época proibida. Lágrimas clandestinas no banho. Uma nova chance. Escrito originalmente para a antologia autoral Minhas conversas com o diabo, Esquecer de viver mostra que todos podemos recomeçar. Mesmo que se tenha que abrir mão de tudo.

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