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Não quero cruzes em meu túmulo (crônicas)

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Não quero cruzes em meu túmulo


Q uando – ou se – finalmente adentrar no salão vermelho, o vistante verá um túmulo guardado por duas esfinges nas laterais e uma imensa estátua de bronze de Uriel, o anjo da morte, na cabeceira. A primeira esfinge terá corpo de onça-pintada e a face de Dita Von Teese. A segunda, o corpo de uma pantera negra e o rosto imaculado de Audrey Hepburn. Uriel estará de cabeça baixa, com uma das mãos cobrindo a fronte e outra erguendo as suas coisas afiadas.

No tampo do túmulo, haverá um orbe onde repousará o meu coração mumificado, além de três receptáculos de ouro, cada um com as ofertas dos três reis da vasta floresta cujo nome é Santuário Esmeralda: pupunha, tucumã e açaí. No interior do túmulo, uma caixa de adamantium escovado guardará o que restou de minhas cinzas após a cremação, já que parte fora despejada no Rio Negro, outra parte no Solimões, durante os rituais fúnebres que duraram sete dias após a queda eterna do meu corpo.

Não quero cruzes em meu túmulo reúne crônicas e escritos aleatórios de Mário Bentes feitos ao longo de dez anos em sites, espaços de artigos ou mesmo nas redes sociais.

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