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Diga-me: qual o teu sonho?


P róximo à parede, logo abaixo do quadro com o retrato de Audrey Hepburn e do espelho – agora sem reflexo algum –, ambos no corredor, havia uma criatura cujo tronco limitava-se a uma cabeça com face de leão, cercada de cinco patas. Os membros eram posicionados no corpo de tal forma que, para andar, ele girava, ao redor da própria cabeça, o conjunto de patas com cascos, os quais não se podia definir, com clareza, se eram de cavalo ou de bode. A aparição movimentou-se de lado, como um caranguejo, observando Luiz Cláudio com olhos atentos, enquanto os cascos trotavam contra o piso forrado com um assoalho de madeira. O ser encarava Luiz Cláudio com um sorriso de dentes humanos e amarelados.

Um jornalista desiludido, um escritor amargurado. Luiz Cláudio descobriu que há mais contas a serem pagas que os boletos acumulados na caixa de correio. Escrito originalmente para a antologia autoral Minhas conversas com o diabo, Diga-me: qual o teu sonho? traz a história de alguém que preferia permanecer acordado.

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