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A mulher que me amou


D epois de, relutante, guardar novamente a caixinha de música dentro da mala, Bartolomeu ajudou Estefânia a cavar, com as mãos, o buraco em que enterrariam a cápsula do tempo. Após vários minutos de escavação, enrolaram a mala de couro em um lençol branco que a menina trouxe e colocaram o embrulho no interior do buraco. Em seguida, cobriram tudo com terra novamente. Para marcar o local exato em que a mala estava escondida, Estefânia usou uma faca pequena e não muito afiada, tirada sorrateiramente da cozinha da mãe, para grafar no tronco da árvore que servia de referência daquele lugar secreto. Com algum esforço dos braços pequenos de criança, a menina escreveu “E.B. 1906” – as iniciais dos nomes dos dois e o ano que já terminava, naquele mês de dezembro, pouco antes do Natal. Tiveram trabalho para tirar o excesso de terra acumulada debaixo das unhas pequenas, enquanto lavavam as mãos no córrego ali perto. Antes de partirem, quando já começava a escurecer, fizeram um juramento. Eles prometeram a si mesmos que jamais contariam a ninguém sobre a mala enterrada e teriam de voltar ali, juntos, 50 anos depois. A cápsula do tempo só poderia eventualmente ser desenterrada por apenas um deles se o outro tivesse morrido ou se não houvesse mais nenhum contato entre os dois.

Duas crianças e uma amizade que atravessa o tempo.Escrito originalmente para a antologia autoral Minhas conversas com o diabo, A mulher que me amou coloca, lado a lado, o amor e a loucura.

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