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A mulher da capa de couro


C om fortes dores de cabeça, nenhum ímpeto de comer e uma série de outros sintomas, o marido de Iracema foi precariamente diagnosticado por um dos cabras do garimpo como tendo febre tifoide – um mal comum naquelas bandas. Não deram esperanças para a mulher, mas ela continuou cuidando do marido. Por dias, ela insistiu para que ele comesse, mas ele só sofria com dores, inchaço e manchas no corpo e um sem fim de momentos de alucinações febris e falas sem sentido. Iracema foi aconselhada a abandonar o marido lá mesmo, na casa dentro da mata, para não correr o risco de contrair a doença. Recusou-se a sair de perto dele. Em uma das noites em que foi novamente atrás de água do igarapé, voltou a ouvir o grasnar vindo de várias direções. Até que viu, no meio da selva, um enorme corvo preto com patas muito longas.

No meio da selva amazônica, isolados do mundo e cercado de gente que fazia as próprias leis, a jovem Iracema nunca perdeu a valentia. Nem quando o destino lhe tirou tudo. Escrito originalmente para a antologia autoral Minhas conversas com o diabo, A mulher da capa de couro traz a história de uma mulher tão valente que nem mesmo a desesperada das opções lhe tomou a fé.

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