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A Estrela de Cão Maior


O fim esteve próximo e estará sempre, até que seja o fim derradeiro, e não mais um “quase”. Haverá de chegar a página final, sem epílogos. Será o capítulo final, como já andam dizendo alguns. Nos bares e botecos, a conversa é sempre a mesma: um dia vai haver um amanhecer tão brilhante que cegará a todos e desintegrará nossa carne. Falam isso como se não fossem, neste momento, cegos ideológicos por sua própria natureza. Nos becos escuros e nas esquinas da cidade, pichações anunciam o tal amanhecer extra-luminoso. Dias atrás, depois de desembarcar na minha estação do metrô-vapor, dei de cara com os dizeres, abaixo de um aviso em néon analógico: “As palavras dos profetas estão escritas nestas paredes e nos corredores dos cortiços”.

Em uma versão alternativa de nosso mundo, o principal meio de locomoção de massas é o metrô-vapor e grandes dirigíveis que circulam silenciosos pelo céu cor de chumbo, no meio da atmosfera irrespirável. Trancado dentro de seu apartamento, um homem reflete sobre a vida enquanto pensa a respeito da hypergigante vermelha que, por alguma razão, deslocou-se de seu eixo gravitacional e agora segue rapidamente em direção ao nosso sistema solar. Originalmente escrito para a antologia O último Gargalo de Gaia: distopias, steampunk e dias finais, A estrela de cão maior mostra que o fim do mundo pode começar no coração dos homens.

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