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À espera da próxima carta


C hegou à sala para abrir a porta, mas logo viu algo que lhe chamou atenção. Uma carta havia sido passada por baixo da entrada, através do pequeno espaço entre a porta e o assoalho. Apanhou do chão de madeira envernizada e escurecida pelo tempo o envelope ligeiramente amarelado. Antes de observá-lo mais atentamente, pegou a chave que estava debaixo do bibelô de cerâmica com a figura de um cachorro São Bernardo, com suas cores carameladas suavemente desgastadas, e que estava na parte de cima de uma estante na sala ao lado da própria porta. Antes de destrancar, observou pelo olho mágico. Não havia ninguém.

Maximiliana é uma solitária de meia idade que divide a vida entre ver as paisagens do amanhecer da janela, o café quente das manhãs e o trabalho como costureira. Mas quando ela começa a receber, por debaixo da porta, cartas de um artista desconhecido, sua vida toma rumos diferentes. Escrito originalmente para a antologia autoral Minhas conversas com o diabo, À espera da próxima carta coloca a solidão como chave de caminhos sem volta.

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